SONETO BÁRBARO

20730417_zmKS1

Pedem tónicas na sétima? Cá vão elas, cá vão elas,

A dançar, deselegantes, como bandos de elefantes

Que às doze não chegarão, nem estarão perto de tê-las,

Mas vale a pena tentar, mesmo que em versos gigantes

*

Solfejando um “dó-de-mim” sobre umas linhas singelas,

Construir algumas delas que nos soem mais cantantes,

Sabendo que não serão, nem de longe, coisas belas,

Antes são, em vez de estrelas, versos muito dissonantes.

*

A musiqueta, essa, foi-se desta pauta putativa

Que, para manter-se viva, dá por cada verso, um coice

E – juro! – a gente condói-se, se de harmonia se priva!

*

Eis a música cativa, já sem martelo e sem foice,

Dando coice atrás de coice na pobre da comitiva

Que jamais foi punitiva! Mas o soneto constrói-se!

*

Maria João Brito de Sousa – 09.11.2017 – 10.00h

NOTA – Chama-se BÁRBARO a todo o soneto composto por versos de mais de doze sílabas métricas. Este é composto, na sua totalidade, por dois hemistíquios (metades de um verso) de sete sílabas métricas, o que, como poderão verificar, nem sempre resulta num verso de catorze sílabas métricas, dadas as palavras proparoxítonas (esdrúxulas) utilizadas na sua construção, bem como à dificuldade em criar um ponto neutro (átono) entre os dois hemistíquios de cada verso.

https://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/soneto-barbaro-373985

 

Anúncios

A ORIGEM DOS CONTOS DE FADAS

abre

Aposto que você já deve ter lido e ouvido vários contos de fadas, não é mesmo? Os contos de fadas costumam ser nosso primeiro contato com a literatura, e antes mesmo que aprendêssemos a ler, fomos convidados a conhecer o universo lúdico que permeia histórias vindas de outros tempos. Sempre temos um conto de fada na ponta da língua e somos capazes de reproduzi-los sem necessariamente ter um livro em mão, tamanha familiaridade que temos com essas histórias.

Mas você conhece a origem dos contos de fadas? Como eles surgiram e por que se disseminaram em toda cultura ocidental? Bem, os contos de fadas remontam a tempos antigos, vindos da tradição oral de diferentes culturas pelo mundo. Eram histórias contadas de pai para filho e, dessa maneira, acabaram perpetuando-se no imaginário coletivo. Só começaram a ser registradas em livros na Idade Média, quando a criança começou, de fato, a ser tratada como criança. Até então não havia grandes distinções entre adultos e crianças, pois ainda não havia aquilo que conhecemos hoje por infância, que é o período relacionado com o desenvolvimento dos pequenos.

No começo, os contos ainda não eram de fadas. As histórias originais pouco lembram as histórias que conhecemos hoje e, em sua maioria, apresentavam enredos assustadores que dificilmente fariam sucesso nos tempos atuais. Isso porque hoje respeitamos e conhecemos o significado da palavra infância e porque, há algum tempo, alguns escritores, como o francês Charles Perrault, adaptaram alguns contos para que eles pudessem ser mais bem aceitos pela sociedade. Posteriormente, os Irmãos Grimm e o dinamarquês Hans Christian Andersen deram segmento à proposta de Charles Perrault, com narrativas mais suaves, cujos desfechos culminavam em uma “moral da história”. Para citarmos um exemplo de como os contos foram modificados, na história “Cachinhos Dourados”, a menina que invade a casa de três ursinhos e mexe em todas as coisas deles não existia, a personagem, na verdade, era uma raposa, que ao final era jogada pela janela. Outras versões trazem um desfecho trágico, em que os “ursinhos” decidiam devorar o animal intruso.

Os contos atuais demonstram uma preocupação com o impacto que podem produzir nas crianças e na influência que suas histórias podem causar na vida dos pequenos. Por isso, temáticas consideradas violentas e pouco lúdicas foram completamente abolidas, embora ainda sejam perceptíveis resquícios de um universo um pouco assustador nos principais contos de fadas. Hoje os contos de fadas podem nos fazer sonhar, mas lá no início eram histórias dignas de nossos piores pesadelos!

Por Luana Castro

Graduada em Letras

Fonte:

https://escolakids.uol.com.br/a-origem-dos-contos-de-fadas.htm

A LITERATURA DE CORDEL

download

A Literatura de Cordel é uma manifestação literária tradicional da cultura popular brasileira, mais precisamente do interior nordestino.

Os locais onde ela tem grande destaque são os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte e Ceará.

No Brasil, a literatura de Cordel adquiriu força no século XIX, sobretudo, entre 1930 e 1960. Muitos escritores foram influenciados por este estilo, dos quais se destacam: João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, dentre outros.

Origem

Literatura de Cordel

Venda de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro, 2010

O termo “Cordel” é de herança portuguesa. Essa manifestação artística foi introduzida por eles no país em fins do século XVIII.

Na Europa, ela começou a aparecer no século XII em outros países, tais quais França, Espanha, Itália, popularizando-se com o Renascimento.

Em sua origem, muito poetas vendiam seus trabalhos nas feiras das cidades. Todavia, com o passar do tempo e o advento do rádio e da televisão, sua popularidade foi decaindo.

Principais Características

Esse tipo de manifestação tem como principais caraterísticas a oralidade e a presença de elementos da cultura brasileira. Sua principal função social é de informar, ao mesmo tempo que diverte os leitores.

Oposta à literatura tradicional (impressa nos livros), a literatura de cordel é uma tradição literária regional.

Sua forma mais habitual de apresentação são os “folhetos”, pequenos livros com capas de xilogravura que ficam pendurados em barbantes ou cordas, e daí surge seu nome.

A literatura de cordel é considerada um gênero literário geralmente feito em versos. Ela se afasta dos cânones na medida em que incorpora uma linguagem e temas populares.

Além disso, essa manifestação recorre a outros meios de divulgação, e nalguns casos, os próprios autores são os divulgadores de seus poemas.

Em relação à linguagem e o conteúdo, a literatura de cordel tem como principais características:

Linguagem coloquial (informal)

Uso de humor, ironia e sarcasmo

Temas diversos: folclore brasileiro, religiosos, profanos, políticos, episódios históricos, realidade social, etc.

Presença de rimas, métrica e oralidade

Literatura de Cordel e Repente

A literatura de cordel e o repente são duas manifestações populares e culturais distintas. Embora sejam parecidas, cada um possui suas peculiaridades.

O repente, feito pelos repentistas, é baseado na poesia falada e improvisada, geralmente acompanhado de instrumentos musicais.

Já o cordel, feito pelos cordelistas, é uma poesia popular, com traços de oralidade divulgada em folhetos.

Nas feiras de antigamente e com o intuito de vender sua arte, os cordelistas utilizavam de técnicas de criatividade para atrair o público.

A partir disso, a poesia era recitada (e algumas vezes acompanhada de viola, pandeiro, etc.) e dramatizada nos locais públicos como forma de despertar o interesse da população. Foi justamente esse fato que gerou muita confusão em relação ao repente.

Conheça também outras manifestações literárias populares:

Adivinhas

Trava-línguas

Parlendas

Provérbios e Ditados

Lendas do Folclore

Principais Representantes

Os autores da literatura de cordel são denominados “cordelistas”. Segundo pesquisas atuais, estima-se que há no Brasil cerca de 4.000 artistas em atividade, dos quais se destacam:

Apolônio Alves dos Santos

Cego Aderaldo

Cuica de Santo Amaro

Guaipuan Vieira

Firmino Teixeira do Amaral

João Ferreira de Lima

João Martins de Athayde

Manoel Monteiro

Leandro Gomes de Barros

José Alves Sobrinho

Homero do Rego Barros

Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva)

Téo Azevedo

Gonçalo Ferreira da Silva

João de Cristo Rei

Leia também:

Ariano Suassuna

João Cabral de Melo Neto

Guimarães Rosa

Exemplos de Poemas de Cordel

As “Proezas de João Grilo”, de João Martins de Athayde

Literatura de Cordel

“O Fiscal e a Lagarta” de Leandro Gomes de Barros

Literatura de Cordel

“Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho dos Tucuns”, de Firmino Teixeira do Amaral

Literatura de Cordel

Academia Brasileira de Literatura de Cordel

Academia de Cordel

Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC)

A Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) reúne cerca de 7 mil documentos, desde pesquisas, livros e folhetos de cordel. Fundada em 1989, ela está localizada no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro.

O intuito dessa entidade literária é resgatar a memória da literatura de cordel, reunir os expoentes e aprofundar pesquisas sobre essa manifestação popular.

Fonte: https://www.todamateria.com.br/literatura-de-cordel/

A LIGAÇÃO ENTRE A LITERATURA E OS PENSAMENTOS

vigo

A frase do escritor gaúcho Mario Quintana fala da sensação de companhia proporcionada pela leitura. Entretanto, as vantagens de um bom livro não param por aí, aponta um novo estudo publicado em edição da revista Science. Segundo a pesquisa, a literatura pode ajudar no relacionamento com outras pessoas, ajudando o leitor a interpretar melhor as emoções alheias.

O trabalho aponta ainda que não é qualquer tipo de obra que provoca esse efeito. Segundo os experimentos conduzidos durante a investigação, os livros de leitura mais “fácil”, que costumam integrar as listas de mais vendidos, não ajudam no aprimoramento da habilidade social.

Emanuele Castano, professor associado do Departamento de Psicologia da New School for Social Research em Nova York e um dos autores do estudo, explica que o objetivo inicial do trabalho era tentar desvendar como funciona um conceito da psicologia denominado teoria da mente, a habilidade humana de inferir os pensamentos e as emoções de outras pessoas.

– Os seres humanos são claramente propensos a ter essa capacidade, mas argumentamos que ela também é afetada pelas práticas culturais – diz o pesquisador.

A partir da noção de que a prática pode aumentar a capacidade de interpretar o outro, Castano e seu colega David Kidd decidiram investigar o efeito dos livros sobre a teoria da mente.

– A leitura pode ser uma experiência poderosa. Nosso objetivo era expandir o que conhecemos sobre o efeitos dessa prática em nossas mentes – completa Kidd.

Para isso, eles criaram um experimento em que voluntários leram diferentes tipos de texto, classificados como ficção literária, ficção popular e não ficção. As obras do primeiro grupo eram finalistas ou vencedoras da edição de 2012 do The PEN/O. Henry Prize, importante concurso de contos dos Estados Unidos. Os trabalhos de ficção populares foram retirados da lista de best-sellers do site de vendas Amazon, e os de não ficção eram artigos retirados da revista americana Smithsonian Magazine.

Para realizar uma comparação mais abrangente, os pesquisadores também testaram voluntários que não leram nenhuma publicação. Após a leitura de um dos textos selecionados, os participantes passaram por diferentes testes para medir a capacidade de interpretar expressões humanas. Um dos experimentos, por exemplo, consistia em olhar para fotos de atores em preto e branco e afirmar, quase imediatamente, sem refletir muito, qual emoção estava sendo expressa por seus rostos.

– É um teste direto, que mede a capacidade de fazer inferências sobre outros estados emocionais – justifica.

Os pesquisadores notaram que os participantes designados a ler ficção literária tiveram um desempenho significativamente melhor do que os outros voluntários nos cinco tipos de testes aplicados. A dupla acredita que, pelo conteúdo mais denso, a ficção literária conseguiu estimular mais a reflexão sobre os outros nos leitores.

– Ao contrário da ficção popular, a ficção literária não é realmente sobre a “trama”, mas sobre os personagens e suas vidas interiores. O perfil psicológico não está disponível para o leitor muito explicitamente. Os personagens são complexos, por vezes contraditórios, e incompletos. Ficção literária obriga o leitor a se tornar coautor da história. Ele é forçado a entrar na mente do personagem. Isso aciona os processos mentais. Durante a leitura de ficção literária, treinamos essa capacidade de teorização em nosso cérebro – destaca Kidd.

Estímulo para melhor entender os mais próximos

Cristiano Mauro Gomes, psicólogo e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), considera o resultado do trabalho interessante.

– Para darmos diagnósticos de crianças autistas, por exemplo, existem testes que tentam identificar o nível de habilidade da teoria da mente. O método usado por esses cientistas é mais diversificado e sofisticado, por isso consegue mostrar a influência de uma atividade cultural como a leitura – detalha.

Para ele, o teor dos textos pode explicar o fato de a ficção literária ter levado a resultados melhores:

– Quando lemos ficção literária, desenvolvemos a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, em uma posição ativa, que pode ter atrito com as crenças que temos.

Silviane Barbato, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), acredita que a leitura, de forma geral, estimula o cérebro, provocando essa melhora na habilidade de compreensão do outro.

– A literatura, como qualquer arte, estimula a imaginação, cria um mundo de possibilidades interpretativas – diz. – A pesquisa se diferencia por mostrar essa habilidade (teoria da mente) como algo mutável, que pode ser aprimorado com o tempo, o que é bastante positivo – avalia.

Castano acredita que a pesquisa pode ajudar muitas pessoas a melhorarem o seu relacionamento interpessoal com um instrumento totalmente positivo.

– Os resultados que apresentamos em nosso trabalho são preliminares, mas dão suporte a aplicativos já existentes, como programas de leitura para presos. Afinal, ao contrário de medicamentos, ficção literária não tem qualquer efeito colateral negativo – ressalta o pesquisador.

Suposição

– O nome teoria da mente é utilizado pelos pesquisadores para definir essa habilidade humana por se tratar de uma capacidade em que uma pessoa supõe o que a outra está sentindo

– Trata-se, portanto, de uma habilidade comandada por referências, por suposição

– Esse tipo de capacidade começa a se desenvolver ainda nos anos da pré-escola. Os pequenos constroem inicialmente teorias da mente ingênuas, mas, do meio para o fima da infância, começa a interpretar desejos e crenças dos outros

https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2013/11/pesquisa-indica-que-literatura-ajuda-a-interpretar-pensamentos-e-emocoes-alheias-4342301.html

O LIVRO NA ERA DIGITAL

vieo-olhardigital-reproducao

Em uma época em que o mundo digital torna cada vez mais obsoleta boa parte das ferramentas e objetos analógicos, o livro de papel permanece atual e presente no nosso cotidiano.

É o que avalia Haroldo Ceravolo Sereza, doutor em Literatura Brasileira, editor e conselheiro do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da cidade de São Paulo, que conversou com a Radioagência Brasil de Fato.

”Essa questão está rondando quem faz e trabalha com livros há muitos anos. Desde que surgiu a ideia do digital parecia que o livro ia ser o primeiro produto cultural a se converter para o novo formato. Mas o que aconteceu foi que o disco, por exemplo, acabou antes do livro. E por que? Acho que tem várias questões e uma delas é que a história do livro. O livro é um objeto que tem mais de 500 anos. E isso traz uma história e uma relação que o ser humano passou a ter com a leitura que está consolidada há muito tempo e passa muito pelo papel “.

Haroldo destaca ainda, que os livros digitais têm representado um importante papel de fazer com que cada vez mais pessoas adquiram o hábito da leitura no Brasil e no mundo. ”A gente tem vários formatos que são essencialmente digitais. O PDF por exemplo. O que acontece hoje é uma convivência de muitos formatos. Hoje todo mundo lê, lê muito mais do que no passado graças aos aparelhos digitais e isso ajuda a formar leitores do livro de papel. Ele resistiu até aqui e é provável que resista por mais um período, não sabemos quanto, mas que ele resista e continua sendo um companheiro do ser humano nessa aventura em busca por conhecimento, pelo debate, da política, da literatura “.

Dia 23 de abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. A data é homenagem ao aniversário de três grandes escritores da história: William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso de la vega.

A comemoração teve origem na Catalunha, Espanha, em 1926, mas até hoje inspira campanhas e celebrações. E enquanto ele resiste, podemos aproveitar a data para participar de feiras de trocas de livros e clubes de leituras, que são organizados por diversas bibliotecas e livrarias todo dia 23 de abril

Edição: Anelize Moreira

Fonte:

https://www.brasildefato.com.br/2017/04/24/o-livro-na-era-digital/

 

POETA OU POETISA?

cora-coralina

Uma mudança profunda vem ocorrendo há tempos com a palavra poeta, eleita o destaque desta semana em homenagem ao sobrenome de Patrícia, novo e bonito rosto do “Jornal Nacional”. Existente em português desde o século 14 – derivado do latim poeta, que tinha vindo por sua vez do grego poietes (“autor, criador”) –, poeta nasceu como substantivo masculino e manteve essa condição por séculos a fio. Ainda hoje aparece assim nos dicionários: para designar uma mulher que escreva versos, diz a tradição, deve-se usar o termo poetisa.

Acontece que a língua real não se conforma com isso há muitas décadas. Tanto no Brasil quanto em Portugal, o uso tem puxado a palavra poeta para um lugar unissex, isto é, de substantivo de dois gêneros. Um lugar em que se plantou de modo tão sólido que admira não ter sido consagrado por gramáticos e dicionaristas. Deve ser só uma questão de tempo – e de bom senso.

A compreensão cada vez mais disseminada de “poetisa” como termo pejorativo, ou pelo menos de conotações condescendentes, caminhou ao lado dos avanços do feminismo no século 20. Poetas do sexo feminino que jogavam de igual para igual com os homens o jogo das letras passaram a rejeitar a distinção de gênero.

Isso se deu em pelo menos duas etapas. Na primeira, o impulso parece ter sido na direção do masculino como gênero neutro, como se o eu lírico não tivesse sexo: “Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”, escreveu Cecília Meirelles (1901-1964) no poema Motivo, o mesmo em que se declara “irmão das coisas fugidias”. Uma geração depois de Cecília, a portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) completava o percurso, reivindicando abertamente para a palavra o gênero feminino. Hoje em dia é raro encontrar uma poeta de verdade que se apresente como poetisa. O vocábulo ainda se sustenta com as credenciais de “correto” em certos círculos, mas está claramente em declínio.

Fonte:https://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/entra-poeta-sai-poetisa/

LITERATURA, A ARTE DA PALAVRA

2979ed23ddc2bd247b505c374edc8527

Em seu poema Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade, o maior poeta brasileiro do século XX, faz uma investigação sensível sobre o ofício de ser escritor, sobre a lida diária com as palavras em busca da materialização da poesia. A literatura é uma manifestação artística que usa a palavra como matéria-prima, extraindo dela seus múltiplos significados ou usando-a como instrumento para falar da realidade.

“Arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra.” (Aristóteles, filósofo grego, séc. IV a.C.)

A literatura utiliza a língua como um instrumento de comunicação e interação. Não está alheia ao seu papel social, sendo, pois, uma manifestação artística indispensável para a difusão da cultura e para a democratização do conhecimento. Um escritor é um ser social e, inserido na realidade de um povo, capta situações e sensações, recriando a realidade ou transfigurando-a. A literatura pode ser uma fotografia de seu tempo e servir a uma causa político-ideológica ou a uma luta social, sem jamais se desvincular de seu propósito artístico.

O Bicho

Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

Embora esteja irremediavelmente ligada à língua, não está presa a ela: a literatura é livre para subverter regras gramaticais e para conferir plurissignificação às palavras em busca de novos sentidos. Além do importante papel social, pode também (e jamais deve desvincular-se deste fim) proporcionar prazer ao leitor, resgatando assim a função hedonística que predominava em seus primórdios, conduzindo-o a mundos imaginários capazes de despertar sua sensibilidade.

“Literatura é feitiçaria que se faz com o sangue do coração humano.” (Guimarães Rosa, escritor brasileiro, séc. XX)

Nesta seção, você encontrará diversos artigos que investigam a arte literária: textos que abordam a literatura brasileira, sua formação, origens e principais escritores, assim como também encontrará textos que contemplam a literatura portuguesa, cuja história está indelevelmente vinculada à nossa. Boa leitura e bons estudos!

Por Luana Castrohttps:

Graduada em Letras

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/

COMO TRABALHAR COM LITERATURA EM SALA DE AULA

images

 

Uma situação paradoxal paira sob as turmas dos anos finais do Ensino Fundamental: a literatura não tem merecido a devida atenção nas aulas de Língua Portuguesa, embora estudar as questões literárias seja um dos objetivos da disciplina. Às vezes, a garotada até é convidada a ler algumas produções do tipo ou os professores as apresentam em aulas expositivas. Mas é raro encontrar estudantes debruçados sobre textos literários, aprendendo a ler e analisá-los. Com esse quadro, não é de estranhar que, ao perguntar “o que é literatura?”, os jovens tenham dificuldade em responder ou usem definições simplistas, como “são textos de ficção”.

Não faz sentido, portanto, o docente dizer que trabalhou com literatura em sala se não desenvolveu um trabalho para investigar qual a natureza e a função dela. “É primordial que os estudantes tenham clareza do que faz um texto ser literário e quais características garantem a identificação dele. E isso só é possível se todos tiverem familiaridade com esse tipo de leitura”, diz João Luís Tápias Ceccantini, professor de Literatura da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Assis. Por ter percebido essa sutileza do conteúdo e trabalhado com ela de modo coerente, Maria Tereza Gomes, professora de Língua Portuguesa do Centro Educacional Frei Seráfico, em São João del Rei, a 180 quilômetros de Belo Horizonte, fez jus ao Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10 de 2009. Focada no estudo da linguagem literária e da compreensão do que é literatura, ela organizou aulas para discutir com alunos de 8º e 9º anos várias questões com base na leitura e análise do jornal O Domingo, uma publicação especializada em literatura e crítica literária que circulou na cidade em 1885 e 1886. Ela também estimulou a percepção das diferenças que existem em textos literários e não literários usando o veículo (leia mais na segunda página). “Manejar um jornal especializado em literatura é algo refinado, diferente do que é proposto tradicionalmente, como estudar as definições de literatura que aparecem nos livros didáticos”, diz Claudio Bazzoni, assessor da prefeitura de São Paulo e selecionador do prêmio.

No entanto, definir o que é literatura não é fácil. São várias as abordagens possíveis e nenhuma é abrangente o suficiente – nem se basta isolada de outras. Até por isso, esse conteúdo deve ser encarado como algo estimulante e desafiador tanto para o docente como para os alunos. Literário é um conceito que depende de muitos fatores. Por isso, a prioridade tem de ser dada ao desenvolvimento do estudo, ajudando os estudantes a se aprofundarem em várias definições e desconstruí-las a fim de que construam outras e compreendam por que esse tipo de texto é tão especial. Evidentemente, não é possível ensinar tudo isso apenas falando. Apropriar-se do material literário propriamente dito é fundamental (leia o projeto didático).

Maria Tereza Gomes nasceu em São João del Rei e iniciou sua carreira no Magistério em 1993, lecionando Língua Portuguesa em escolas da rede pública municipal. Desde 2005, é professora do Centro Educacional Frei Seráfico, onde, a partir de 2007, passou a dar aulas de Literatura. Quando estudou para o mestrado em Teoria Literária e Crítica da Cultura, da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), descobriu na Biblioteca Pública da cidade o acervo completo do jornal O Domingo, que circulou no século 19, e tratava de assuntos literários. Ao se deparar com uma publicação repleta de definições de literatura, percebeu que tinha em mãos um bom instrumento didático.

Maria Tereza planejou fazer as turmas de 8º e 9º anos entrarem em contato com a literatura e com os textos do gênero sem se ater a (nem fazer os alunos decorarem) nomes, datas e características. Organizou um projeto para que eles se apropriassem de noções literárias, aprendessem ler textos ficcionais e não ficcionais em verso e prosa e conhecessem o acervo histórico são-joanense.

Para começar o trabalho, a professora propôs ao grupo pesquisar o que é literatura no jornal literário O Domingo, descobrir as definições da época e avaliar se elas continuam em voga. Para explicar como fazer a investigação, ela analisou um exemplar do periódico digitalizado com a turma. Na sequência, organizou uma visita à biblioteca da cidade para apresentar aos alunos o periódico impresso. De volta à escola, concentrou o trabalho na leitura de textos literários, relacionando o contexto de produção de cada um deles e as figuras de linguagem presentes. Em grupos, os estudantes pesquisaram em várias edições de O Domingo e em outras fontes confiáveis definições de literatura, observaram produções em verso e prosa, dissecaram essas maneiras de escrever e fizeram comparações com obras da atualidade. O resultado foi apresentado para toda a turma em seminários. O material também rendeu textos para o mural da escola e para o Jornal do Poste, outro periódico que desde 1958 é afixado em dez pontos da cidade.

Os seminários foram o principal recurso avaliativo. Por causa deles, a docente acompanhou o processo de pesquisa dos alunos e analisou o que compreenderam sobre textos literários.

De acordo com o senso comum, a literatura é uma escrita ficcional. “Um dos compromissos do literário é com a imaginação e a criação, não tendo, necessariamente, relação com a realidade”, detalha Ceccantini. Realmente, essas ideias não estão erradas, mas são incompletas. Quem teria coragem de dizer que a narrativa verídica de Euclides da Cunha (1866-1909) sobre a Guerra de Canudos no livro Os Sertões não é literatura do mais alto nível? Ou que os ensaios do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) não são clássicos literários?

Pensemos então em outra abordagem: literário é o texto que emprega a linguagem de forma peculiar e única. Quanto a isso, não há dúvida. Se alguém diz: “Para ser grande, sê inteiro”, é fácil reconhecer que se está na presença de uma linguagem literária. Isso graças à maneira como a frase foi construída pelo escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), ao ritmo e à escolha das palavras, que fogem do comum. Trata-se de um tipo de linguagem que chama a atenção sobre si mesma, diferentemente do que ocorre quando se escuta algo rotineiro (“Como chego à avenida Brasil ?”, por exemplo).

O que orienta essa visão é a ideia de que em literatura forma é conteúdo. “As orações e o enredo são construídos de modo a transmitir uma emoção estética em quem lê”, diz Bazzoni. Os significados e as interpretações são individuais. Cada um, por meio de suas experiências pessoais, pode fazer uma leitura diferente de uma mesma obra. Segundo essa linha de pensamento, a especificidade do gênero, aquilo que o distingue, é o fato de ele deformar a linguagem comum de várias maneiras, condensando, intensificando, reduzindo, ampliando ou invertendo seus significados. O problema de definir literatura apenas em relação à linguagem é que esse recurso de manipular a língua não é exclusivamente literário. Basta lembrar que, diariamente, anúncios e comerciais publicitários lançam mão dele – e ninguém se confunde achando que a publicidade é literatura.

Outra forma de enxergar a questão é conceitualizar literatura como textos bem escritos e com valor estético. É literário, então, o que é clássico? Os julgamentos de valor parecem ter muita relação com o que se considera literatura. O problema é que o valor conferido por uma sociedade a uma obra varia ao longo dos anos. O poeta francês Arthur Rimbaud (1854-1891), por exemplo, é considerado um dos maiores escritores da humanidade, mas, na época em que suas obras foram lançadas, eram consideradas vulgares. Foi só em meados do século 20 que, redescoberto, passou a habitar o panteão das grandes figuras literárias.

Numa derradeira tentativa, é possível também tentar usar a função da literatura para defini-la. No ensaio Direito à Literatura, o crítico literário Antonio Candido afirma que “a literatura desenvolve em nós a quota de humanidade que nos torna mais compreensivos, abertos para a natureza, a sociedade, o semelhante”. Ou seja, de acordo com ele, o texto literário tem a função de humanizar.

Só depois de encerrada essa fase de busca e análise de definições é hora de explorar as questões estruturais e os movimentos literários, entre outros conteúdos. Assim, o sentido dos textos nunca mais será o mesmo para os alunos: eles saberão lê-los nas entrelinhas

 

Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/2573/como-trabalhar-as-definicoes-de-literatura-em-sala-de-aula

LITERATURA PARA DEFICIENTES VISUAIS

20180407164725658513i

“Depois que deixei de enxergar, meu amor pelas palavras aumentou”. Noeme Rocha, 57 anos, é apaixonada pelas letras e, mesmo depois de perder a visão, em 1990, num acidente de trânsito, não abandonou a ligação com a literatura. Hoje, após superar barreiras impostas pela deficiência visual, Noeme enaltece o braile, sistema de leitura que a fez redescobrir o amor pela escrita. “O cego é o único que pode tocar as palavras. A gente pode senti-las. É uma emoção tão grande que do dedo ela vai pro coração e pra mente”.

Comemorado em todo o Brasil neste domingo, o dia do sistema braile homenageia o método criada em 1825 pelo francês Louis Braille. O instrumento de leitura chegou por meio do carioca José Álvares de Azevedo, que, a partir do ano de 1850, difundiu o método.

Noeme conta que desde pequena era ligada às palavras. “Eu sempre gostei de literatura, desde a minha infância. Minha mãe lia para mim, e eu gostava demais das figuras coloridas”, conta.

A relação com o pai, que era repentista, também despertou em Noeme a simpatia pelas palavras. “Ficou um pouco dessa veia artística na minha alma”, conta. Influenciada pelo trabalho do patriarca, ela descobriu na poesia uma paixão.

Com a perda da visão, Noeme teve de se reinventar: reaprendeu uma série de atividades que desenvolvia com facilidade antes, entre elas, ler e escrever. “O braile ficou sendo meu amigo inseparável”, confessa Noeme.

Hoje, a poesia continua presente na vida dela, mas as inspirações para escrever são diferentes. Além de produzir versos e rimas sobre temas do cotidiano, ela lembra que gosta de expressar seu amor pelo braile por meio das próprias obras. Na poesia Agradecimento a Louis Braille, as linhas mostram uma autora agradecida às oportunidades trazidas pela ferramenta.

Noeme Rocha é uma das fundadoras da biblioteca em braile Dorina Nowill, em Taguatinga. A instituição existe há 23 anos e reúne cerca de 3 mil publicações no acervo. No estabelecimento, estão disponíveis livros em braile e audiolivros. Além disso, a biblioteca conta com diversas atividades e oficinas para deficientes visuais.

Um dos projetos do local é o Luz & Autor em Braile, desenvolvido desde a fundação da casa. Iniciativa da professora Dinorá Couto, também fundadora da biblioteca, o projeto incentiva o contato entre pessoas com deficiência visual ou baixa visão e a produção de textos literários.

“A pessoa que se envolve com leitura tem uma vida melhor. Ela viaja sem sair do lugar”, afirma Dinorá. No projeto, os deficientes visuais são convidados a escrever contos, poesias, poemas e crônicas. Desse trabalho surgiram frutos: o livro Revelando autores em braile, lançado em 2010, conta com 800 textos de pessoas que não enxergam ou têm baixa visão.

O sucesso do Luz & Autor em Braile foi tanto que deu origem à primeira Academia Inclusiva de Autores do país. “Eu nunca pensei que esse trabalho teria uma abrangência tão grande”, conta Dinorá. Ela explica que o projeto, que conta com 222 membros, consiste no apadrinhamento de uma pessoa que enxerga com um cego. Esses padrinhos são, em sua maioria, autores de livros que procuram o projeto para achar meios de tornar as obras acessíveis.

Felizes, Dinorá e Noeme comemoram o sucesso das atividades desenvolvidas com os membros e frequentadores da biblioteca, carinhosamente apelidados de Família Braille.“O cego está tendo um acesso muito bom à literatura. Nós só precisamos da oportunidade, da força, do empurrão”, afirma Noeme.

 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2018/04/08/interna_diversao_arte,671849/biblioteca-em-braile-em-taguatinga.shtml

CLASSIFICAÇÃO DOS VERSOS E DAS ESTROFES

 

o-texto-poetico2-1-4-638

Realizar uma versificação consiste em facilitar a compreensão de como se constrói um poema, dividindo o mesmo em partes e detalhando cada uma delas. A versificação ou conhecida também como metrificação, é um recurso estilístico utilizado por diversos poetas, cuja sua existência não está diretamente relacionada com a noção de poesia, consistindo na técnica de fazer versos de acordo com o estudo de metros, pés, acento e ritmo, estabelecendo normas para a contagem das sílabas de um verso.

Poetas como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, não se aprofundaram no estudo da métrica, porém, nem por isso deixaram de ser reconhecidos na literatura brasileira, em outros casos outros autores se dedicaram ao estudo da versificação sem terem sido considerados nomes importantes em nossa literatura. Olavo Bilac e Guimarães Passos são os autores que defendem fortemente o uso da métrica.

Versificação – Técnica e arte de fazer versos

 

Verso: Cada linha de um poema, é uma palavra ou conjunto de palavras com unidade rítmica. Por Exemplo:

“Quem é esse viajante

Quem é esse menestrel

Que espalha esperança

E transforma sal em mel?”

Estrofe: são agrupamentos de versos, podem ser classificadas quanto ao número de versos, podendo ser:

Monóstico: estrofe com um verso.

Dístico: estrofe com dois versos.

Terceto: estrofe com três versos.

Quadra ou quarteto: estrofe com quatro versos.

Quintilha: estrofe com cinco versos.

Sextilha: estrofe com seis versos.

Septilha: estrofe com sete versos.

Oitava: estrofe com oito versos.

Nona: estrofe com nove versos.

Décima: estrofe com dez versos.

Refrão ou Estribo: são poesias como a balada e o rondó, que apresentam versos que se repetem no fim das estrofes.

Rima: é a identidade de sons que ocorre no fim dos versos, embora possa ocorrer também no meio do verso, chamada de rima interna. O importante aqui é haver coincidência de sons (total ou parcial), e não das letras que a formam, a rima facilita na acentuação do ritmo melódico do texto poético.

Verso branco: é o verso que não possui rima.

Encadeamento: ocorre quando o verso não é finalizado junto com o segmento sintático, ocorrendo o encadeamento, que é também chamado de Enjabement, isto é, a continuação do sentido de um verso no verso seguinte, por exemplo:

“E entra a Saudade… Fiquei

Como assombrado e sem voz!”

 

Classificação dos versos

 

Os versos são classificados conforme o número de sílabas poéticas que possuem:

Monossílabo: verso com uma sílaba poética.

Dissílabo: verso com duas sílabas poéticas.

Trissílabo: verso com três sílabas poéticas.

Tetrassílabo: verso com quatro sílabas poéticas.

Pentassílabo ou redondilha maior: verso com cinco sílabas poéticas.

Hexassílabo: verso com seis sílabas poéticas.

Heptassílabo: verso com sete sílabas poéticas.

Octossílabo: verso com oito sílabas poéticas.

Eneassílabo: verso com nove sílabas poéticas.

Decassílabo: verso com dez sílabas poéticas.

Hendecassílabo: verso com onze sílabas poéticas.

Dodecassílabo ou alexandrino: verso com doze sílabas poéticas.

Verso Bárbaro: verso com mais de doze sílabas poéticas.

 

Fonte: https://www.estudokids.com.br/versificacao-versos-e-suas-classificacoes/