CRIANÇA PODE SE ACOSTUMAR COM LEITURA JÁ NO ÚTERO.

 

36-semanas

Adulto que gosta de ler certamente aprendeu desde cedo a soltar a imaginação entre uma página e outra dos livros. Afinal, o hábito da leitura começa em casa, incentivado pelos pais – acredite! – antes mesmo do nascimento dos filhos.

“A partir das 20 semanas de gestação já é possível estimular os bebês através das vozes dos pais. O contato com os livros deve começar aí”, defende Cynthia Spaggiari, curadora do Leiturinha, clube de assinaturas de livros infantis.

Cynthia reforça também a importância da chamada leitura compartilhada como forma de estimular o gosto pelos livros.

“A introdução da literatura deve ser feita em família. O estar junto proporciona um bom incentivo e o exemplo dos pais é fundamental”, garante.

Outro aspecto importante é acertar na escolha dos livros que serão apresentados e indicados às crianças. São inúmeros os títulos e temas, mas algumas características comuns podem ajudar a reconhecer as melhores opções.

18 de abril é o Dia Nacional do Livro Infantil. A data foi escolhida em homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que nasceu há exatos 135 anos. Já o Dia Mundial do Livro é comemorado em 23 de abril

A escritora e pesquisadora da cultura infantil Claudia Souza explica que os bons livros devem possuir qualidade literária e de imagem.

Os contos de fada são exemplos de boas histórias para crianças. “Eles sobrevivem por gerações porque são bons de ouvir, de ler, de imaginar. Ensinam sobre os nossos sentimentos e sobre a vida”, explica a escritora, que tem livros publicados em oito idiomas, e dirige um centro cultural internacional para crianças em Milão.

Deixar as crianças escolherem os próprios livros também é uma das dicas dadas por Claudia. “É bom para avaliar como anda o ‘gosto’ da criança. Se estiver muito massificado, está na hora de interferir com bons modelos”, afirma.

Mesmo nos casos mais difíceis, quando os pequenos não demonstram interesse pelos livros, o conselho é não desistir. Ela garante que não há crianças que não gostam de ler. O desafio é apenas encontrar o livro certo. “Aconselho sempre os pais a nunca desistirem de procurar, uma hora encontram o livro ideal”.

Quem lê aprende a interpretar, escrever e argumentar melhor

Além da família, a escola também tem uma importante atribuição no contato das crianças com o mundo literário. “Ela tem o dever de dar ênfase à leitura, usando livros da biblioteca, sugerindo a leitura de clássicos, trabalhando com atividades diversificadas para atrair a atenção dos alunos”, afirma a professora de Português Maria do Perpétuo Socorro Ferreira Dias.

Lecionando há mais de 30 anos, Socorro conta que sempre busca inovar nos projetos que desenvolve, fazendo com que a leitura seja parte do cotidiano das crianças.

“Meus alunos estão estudando o gênero ‘diário’. Além da leitura de livros sobre o tema, eles também farão as próprias produções e, no fim do ano, presentearão pessoas especiais em uma tarde de autógrafos na escola”, conta.

Frutos para a vida toda

Trazer a leitura para o cotidiano das crianças rende frutos não apenas durante os primeiros anos de vida, mas também no futuro. “Na infância, a criança cria um repertório maior por ter contato com palavras novas e situações novas. Quando estiver mais velha, ela vai saber lidar melhor com as emoções por ter tido contato com elas por meio dos livros”, explica Cynthia Spaggiari, curadora do Leiturinha, que hoje chega a mais de 35 mil famílias Brasil afora.

O contato com a literatura também reflete no desempenho escolar. “O aluno que tem hábito de leitura escreve melhor, interpreta melhor e apresenta mais desenvolvimento no processo da escrita”, afirma Socorro.

Porém, apesar do costume de ler, podem existir momentos de contestação e desinteresse pelos livros, como salienta Claudia Souza. Mas ela garante que este é um momento passageiro. “Se o exemplo existiu e foi cultivado, ele sempre volta. Uma criança ‘cultivada’ vai ser um leitor forte com certeza”, assegura.

Fonte: https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/literatura/h%C3%A1bito-da-leitura-pode-iniciar-antes-mesmo-do-nascimento-1.458918

2019 – NOVOS DIAS

Olá meus amigos e seguidores, tudo bem? obrigado pelo apoio em todo o ano que passou. Agora nossos artigos serão postados aqui as terças e sábados ,estou me programando para estar aqui entre 19 hrs e 23 hrs. Conto com todos vocês.

José Carlos de Arruda.

professorjcarruda@gmail.com

A LITERATURA MUDA O MUNDO

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É um lugar-comum dos últimos cento e tantos anos, inclusive ou sobretudo entre escritores, reconhecer que a literatura não tem o poder de transformar a realidade e que sua relevância, se houver, deve ser buscada apenas dentro do círculo simbólico que ela instaura, e só enquanto o instaura. Uma relevância virtual, portanto. O impacto sobre a consciência do leitor individual, e olhe lá, seria o máximo a que uma obra literária tem o direito de aspirar, e mesmo esse impacto estaria restrito ao campo das iluminações efêmeras, raramente capazes de influenciar as ações do tal leitor no mundo.

Papo furado. As provas de que a literatura, como qualquer construção simbólica, interfere na chamada realidade concreta estão por toda parte. O erro é imaginar que esse impacto teria que se dar de forma previsível, programada, como acreditavam por exemplo os (será que ainda existentes?) cultores da ficção politicamente engajada. Os efeitos são sempre imprevisíveis. É possível que Jorge Amado não tenha conquistado um único leitor para a causa stalinista com seus panfletários romances da série “Subterrâneos da liberdade”. Já o impacto de Gabriela e Dona Flor sobre as carreiras de Sônia Braga e Bruno Barreto foi monumental, para não mencionar a fixação de uma imagem – e autoimagem – dos brasileiros como um povo de sexualidade à flor da pele.

Esqueça a linearidade de causa e efeito. Estamos no terreno da teoria do caos. Sob o bombástico título “O homem mais influente da história”, esse ótimo artigo (em inglês) de Stephen Marche para o jornal canadense “National Post” lista uma série de alterações promovidas no mundo pelas obras de William Shakespeare. Minha preferida é a seguinte: no dia 6 de março de 1890, um fabricante de medicamentos de Nova York chamado Eugene Schiefflin soltou 60 estorninhos – o pássaro da foto acima, de origem europeia e parente distante do nosso sabiá-do-campo – no Central Park. A ação era parte de seu plano maluco de introduzir no Novo Mundo todas as espécies de pássaros mencionadas por Shakespeare. Os descendentes daqueles 60 estorninhos são hoje cerca de 200 milhões e a espécie é considerada uma praga.

O modo mais fácil de refutar essa prova do poder da literatura é dizer que Shakespeare é Shakespeare, que ele escreveu num tempo mítico em que se amarrava cachorro com linguiça e que o mundo mudou demais. Claro que mudou, e que entre as mudanças se inclui um rebaixamento do peso relativo da literatura na cesta básica cultural do cidadão letrado. A mudança, porém, é quantitiva – não qualitativa. Para citar um único exemplo extraído já de nossos tempos cínicos, em que linguiças não dão boas coleiras e zombar da literatura é visto por muita gente como um atestado de refinamento intelectual: se J.D. Salinger não tivesse escrito “O apanhador no campo de centeio”, talvez John Lennon e não Paul McCartney estivesse se apresentando no Rio depois de amanhã.

 

Fonte: http://todoprosa.com.br/esta-provado-a-literatura-muda-o-mundo/

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NOVIDADES EM LITERATURA EM 2019

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Em mais de um sentido, a Feira do Livro de Frankfurt, que se encerra hoje, é um evento que se estende para bem mais que o período de seis dias. Antes do início da programação, editores e agentes literários já estão em contato para marcar reuniões e adiantar algumas informações com autores. Muitos negócios são fechados durante a feira, claro, mas a maioria só começa a sair do papel mesmo depois, quando contratos (e valores) são discutidos com mais calma. Além disso, ainda durante a realização do evento, que neste ano teve como país convidado a Geórgia, o próximo país celebrado em Frankfurt já começa a sua preparação para o evento.

Os que acompanham com afinco a literatura policial e a ficção internacional podem conhecer autores noruegueses como Jo Nesbo e Karl Ove Knausgard (da aclamada série de autoficção Minha Luta). Um público ainda maior leu o best-seller O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarden. Se isso não é suficiente, vale ressaltar que existem três Nobel da Literatura norueguesa: Bjornstjerne Bjornson (1903), Knut Hamsun (1920) e Sigrid Undset (1928). Ainda que parte dessa literatura já tenha ido além das fronteiras do país, a ideia é agora mostrar novas e diferentes vozes que têm surgido na escrita norueguesa.

Vale ressaltar alguns dados que fazem da Noruega uma nação exemplar para outras quando se fala em livros. Primeiro, é um dos países com maior índice de leitura no mundo: 88% dos habitantes dizem ler ao menos um livro ao longo do ano. A média de livros lidos é de 15,5 por pessoa, novamente no mesmo período. São 674 bibliotecas públicas no país (sem contar as mais de 2 mil bibliotecas ligadas a colégios e universidades), com mais de 21 milhões de livros emprestados por ano. “Além disso, não sei se algum outro idioma no mundo tem proporcionalmente tantos escritores que vivem do seu ofício como nós”, destaca Trine Skei Grande, ministra da Cultura da Noruega.

Em um evento com o discurso (felizmente) insistente da liberdade e dos direitos humanos, a ministra destacou esse papel da literatura. “Uma sociedade é forte não apesar das diferenças, mas por conta delas. Quem se dispõe a ouvir histórias contadas por outras pessoas não tem dificuldade de respeitar diferenças”, aponta Trine.

CONVITE

A dupla responsável pelo projeto de transformar a Noruega no país convidado de Frankfurt em 2019, Halldór Guomundsson e Margit Walso, destacou que o interesse recente pela literatura norueguesa começou em uma edição da feira, quando todos estavam atrás de Jostein Gaarden. Hoje, a Alemanha e outros países vivem uma nova febre por conta de uma autora norueguesa, Maja Lunde, criadora do romance Tudo o que Deixamos para Trás, obra mais vendida em alemão em 2017.

“Em dez anos, as traduções de livros noruegueses quintuplicou”, conta Halldór. “Livros não são apenas livros, eles promovem também diálogos culturais”, completa Margit. Segundo os dois, a ideia é ainda mostrar como funciona o sistema literário norueguês, com um grande incentivo à leitura, lei do preço fixo e uma tradição de compras públicas de obras.

AUTORES

Junto com a apresentação geral da participação na Feira de Frankfurt de 2019, a delegação da Noruega trouxe três escritores para falarem (em uma conversa breve, a tônica constante dos encontros no palco principal do evento) sobre suas obras. O primeiro foi o escritor e explorador Erling Kagge, autor do livro Silence in the Age of Noise (Silêncio na Era do Ruído, em tradução livre).

Erling fazia viagens como as expedições sozinho para os dois polos da terra, passando cerca de 50 dias sem contato com outras pessoas. “Depois que parei de fazer coisas assim, tornei-me um homem de família, com filhos. Comecei a me perguntar, ao tentar falar das minhas viagens para meus filhos, o que era o silêncio. Dizia a eles que existe muito barulho na nossa sociedade e que cada um precisa encontrar seu silêncio – os silêncios de cada pessoa são diferentes”, comenta o escritor. Para ele, ruído é mais do que o barulho: é também o excesso de informação e a distração, tudo que perturba as pessoas.

Segundo Erling, não era fácil voltar de um período de 50 dias de silêncio no meio do mundo caótico. “Só que você volta e tem contas para pagar, a máquina de lavar quebra, a sua namorada tem expectativas. O mundo não para porque você foi”, brincou.

Maja Lunde, fenômeno no mercado editorial alemão, falou sobre o best-seller Tudo o que Deixamos para Trás e sobre seu novo livro, The End of the Ocean (O Fim do Oceano, em tradução livre). Os dois fazem parte de uma série não planejada de livros que abordam questões ambientais e climáticas. Antes do sucesso na literatura adulta, Maja escrevia obras infantis. “A diferença é que as crianças são mais honestas: eu posso confiar se elas dizem que amaram meu livro”, explica a autora.

Seus livros, apesar de trazerem temas ambientais, são sempre construídos a partir de grandes personagens. “Eu começo com o esboço de uma história, mas é o personagem que comanda tudo. Eu não penso nos meus livros como políticos, não penso em passar mensagens”, revela a escritora.

A última dos três autores é Linn Ullmann, filha da icônica atriz sueca Liv Ullmann e autora do livro Unquiet (Inquieto, em tradução livre). “Acho que escrevo porque eu leio desde a infância, e sempre achei que os livros revelam também as nossas fraquezas. Escrevo para entender e sobreviver ao medo, à morte, à vida”, afirmou.

“Nesse meu último livro, queria falar sobre o meu pai, porque ele havia morrido. Eu lia seus textos, olhava suas fotos e não o encontrava. Foi lendo outros livros, os que não tinham nada a ver com a minha família, que eu o encontrei e consegui escrever. Olhar a arte é encontrar a si mesmo, e também o outro. A ficção, afinal, não é o oposto da verdade.”

Fonte: https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/literatura/noticia/2018/10/16/literatura-norueguesa-sera-o-foco-da-feira-de-frankfurt-de-2019-358633.php

TROVAS DE FIM DE ANO

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No último dia do ano

eu queria imaginar

como seria tão insano

viver a vida sem amar.

 

 

Por isso, te digo irmão

não perca tempo parado

nem entre na contra mão.

Do mal, fique afastado.

 

 

Mude sua atitude!

Os novos ares virão.

Enfrentarás com saúde

terás paz no coração.

 

 

 

José Carlos de Arruda.

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Direitos Reservados, Lei 9.610 de 1998.

A FICÇÃO EM 2018

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‘O coração pronto para o roubo’

O poeta português Manuel António Pina Foto: Alfredo Cunha / DivulgaçãoO poeta português Manuel António Pina Foto: Alfredo Cunha / Divulgação

Justiça tardia ao grande poeta português Manuel Antonio Pina (1943-2012), que ganhou sua primeira antologia poética no Brasil. Os pouco mais de 80 poemas selecionados pelo professor de literatura Leonardo Gandolfi mostram o lado melancólico e debochado do autor.

‘O romance luminoso’

Mario Levrero Foto: DivulgaçãoMario Levrero Foto: Divulgação

Um escritor conhecido em seu país ganha uma bolsa para terminar um romance. Só que, com bloqueio criativo, abandona seu projeto e começa a registrar a sua própria ociosidade. Em uma espécie de hino à procrastinação, Mario Levrero se coloca a nu e mergulha fundo em suas neuroses.

‘O crime do Cais do Valongo’

A escritora Eliana Alves Cruz no Cais do Valongo, cenário de seu segundo romance Foto: Custódio Coimbra / Agência O GloboA escritora Eliana Alves Cruz no Cais do Valongo, cenário de seu segundo romance Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

Explorando os códigos de uma clássica história policial, que mistura figuras reais do Rio de Dom João VI e personagens inventados, Eliana Alves Cruz revisita os traumas da diáspora africana. Pitadas de elementos sobrenaturais temperam uma reconstrução histórica vigorosa da cidade.

‘Nuvens’

A escritora Hilda Machado em foto de 1983 Foto: Beatriz Albuquerque / DivulgaçãoA escritora Hilda Machado em foto de 1983 Foto: Beatriz Albuquerque / Divulgação

Segredo bem guardado da nossa literatura, Hilda Machado (1951-2007) ganhou sua primeira publicação mais de dez anos após sua morte. Com vocação para invisibilidade, seus versos discretos revelam uma poeta com dicção própria, repleta de autoironia e frustração com a própria arte.

‘O sol na cabeça’

O escritor Geovani Martins Foto: Leo Martins / O GloboO escritor Geovani Martins Foto: Leo Martins / O Globo

Criado em Bangu, na Rocinha e no Vidigal, Geovani Martins vendeu os direitos de seu livro para nove países. Mas seus contos passam longe do clichê “favela para gringo ver”. Reproduzindo a oralidade local (como no já famoso “Rolezim”), o autor estreante apresenta uma periferia complexa e multifacetada.

‘Alguns humanos’

Gustavo Pacheco estreia uma coluna semanal no site de ÉPOCA Foto: Maria MazzilloGustavo Pacheco estreia uma coluna semanal no site de ÉPOCA Foto: Maria Mazzillo

Um pigmeu africano é exposto como um animal ao público novaiorquino. Uma mulher com uma doença que a faz parecer um macaco é comprada para se apresentar em espetáculos. Os fatos reais serviram de ponto de partida para os contos da elogiada estreia de Gustavo Pacheco.

‘Caderno de memórias coloniais’

Isabela Figueiredo, escritora, na mesa Isabela Figueiredo, escritora, na mesa “Tudo o que é belo: histórias reais contadas ao vivo” Foto: Marcelo Saraiva

Destaque da Flip 2018, a portuguesa Isabela Figueiredo fez de suas memórias um acerto de contas com o passado de seu país. Os relatos de sua infância em Moçambique denunciam o racismo dos brancos radicados nas colônias, a partir de um ponto de vista íntimo e familiar.

‘A biblioteca elementar’

O escritor carioca Alberto Mussa Foto: Leo Martins / O GloboO escritor carioca Alberto Mussa Foto: Leo Martins / O Globo

Com o opus final do “Compêndio mítico do Rio de Janeiro”, sua monumental arqueologia literária do Rio, Alberto Mussa volta a resgatar mitologia e o folclore da cidade. No quinto volume da série, a trama ocorre numa comunidade de ciganos que viveu na Rua do Egito, atual da Carioca, em 1733.

‘Sem volta’

Em um ano morno para os quadrinhos, o lançamento, em um só volume, da trilogia de Charles Burns, foi um alento. Um dos mais prestigiados quadrinistas da atualidade viaja pelos caminhos incertos e escorregadios da memória, perdendo-se com júbilo em cenários surrealistas.

‘As luas de Júpiter’

Alice Munro, contista canadense vencedora do Prêmio Nobel de 2013, em Clifton, Canadá, onde vive Foto: IAN WILLMS / NYTAlice Munro, contista canadense vencedora do Prêmio Nobel de 2013, em Clifton, Canadá, onde vive Foto: IAN WILLMS / NYT

Os onze contos do livro de Alice Munro, Nobel de Literatura em 2013, têm ao menos uma característica em comum: são todos narrados ou protagonizados por mulheres. A obra da canadense esmiúça os sentimentos femininos e as dificuldades das relações humanas.

Os principais livros de nao ficcção de 2018

‘Valsa brasileira’

A economista Laura Carvalho Foto: Marcelo Saraiva / Editora GloboA economista Laura Carvalho Foto: Marcelo Saraiva / Editora Globo

Um livro de economia nas listas de mais vendidos? Sim, a professora-doutora da USP Laura Carvalho provou que é possível. Com linguagem acessível, analisa os erros que levaram a derrocada econômica no governo Dilma e Temer, após anos de prosperidade, e analisa a ligação entre as decisões políticas e a economia.

‘Como as democracias morrem’

Steven Levitsky: ‘infelizmente o livro está vendendo muito bem no Brasil’ Foto: Divulgação / DivulgaçãoSteven Levitsky: ‘infelizmente o livro está vendendo muito bem no Brasil’ Foto: Divulgação / Divulgação

Em um ano de eleições turbulentas e polarização política, o livro de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt serviu como um farol para muitos leitores inquietos com os rumos da democracia. Os dois conceituados professores de Harvard explicam o fenômeno do ressurgimento do autoritarismo, comparando as ascensões do nazi-fascismo nos anos 1930 e os movimentos populistas de extrema-direita dos dias de hoje.

‘Um ano depois’

Anne Wiazemsky e Jean-Pierre Léaud em uma cena de ‘Pocilga’ (1969), de Pier Paolo Pasolini Foto: Arquivo / Agência O GLOBOAnne Wiazemsky e Jean-Pierre Léaud em uma cena de ‘Pocilga’ (1969), de Pier Paolo Pasolini Foto: Arquivo / Agência O GLOBO

As turbulências de Maio de 68 na França pelo olhar privilegiado de Anne Wiazemsky. A atriz e escritora viveu os eventos de forma intensa, com algumas das principais figuras da época, incluindo Jean-Luc Godard, então seu marido. Um relato da vida de uma jovem mulher no fim dos anos 1960.

‘Medo: Trump na Casa Branca’

Woodward (à esquerda) disse a Trump que tentou várias vezes entrevistá-lo para o livro, durante telefonema em agosto Foto: AFPWoodward (à esquerda) disse a Trump que tentou várias vezes entrevistá-lo para o livro, durante telefonema em agosto Foto: AFP

Mais um livro bombástico de Bob Woodward, repórter que cobriu o escândalo Watergate nos anos 1970. Agora o alvo é o atual presidente americano, Donald Trump. Woodward teve acesso a documentos e entrevistas que expõem o ambiente disfuncional da Casa Branca.

‘Ser republicano no Brasil Colônia’

A historiadora Heloisa Starling, que lança o livro ‘Ser republicano no Brasil Colônia’ Foto: Fernando Lemos / Agência O GloboA historiadora Heloisa Starling, que lança o livro ‘Ser republicano no Brasil Colônia’ Foto: Fernando Lemos / Agência O Globo

A historiadora Heloisa Starling faz um raio-x das diversas conjurações brasileiras para entender o sentido republicano no Brasil Colônia. A autora mostra que, mesmo antes da República instituída pelo golpe militar de 1889, um profundo republicanismo já fazia sonhar corações e mentes.

‘O elogio do vira-lata e outros ensaios’

O economista Eduardo Giannetti inverte o sentido de uma expressão de Nelson Rodrigues para pensar o estado de espírito atual do país. O complexo de vira-latas seria, na verdade, o que temos de melhor: nossa miscigenação, nossa alegria e nossa capacidade de resiliência.

‘O papel mata-moscas e outros textos’

Robert Musil é mais citado do que lido. Esta miscelânea de ensaios facilita o acesso ao austríaco, que aqui reflete tanto sobre o nazismo quanto sobre os descompassos da aristocracia de seu país.

‘Notícias em três linhas’

Retrato de Felix Fénéon, editor, jornalista e crítico de arte francês, pintado por Paul Signac (1890) Foto: Reprodução / Creative CommonsRetrato de Felix Fénéon, editor, jornalista e crítico de arte francês, pintado por Paul Signac (1890) Foto: Reprodução / Creative Commons

Félix Fénéon precisava de apenas três linhas para contar os mais sangrentos fait divers da Paris da Belle Époque nas páginas de jornal. Mas o que na pena de outros jornalistas eram simples notícias, na de Fénéon rendiam narrações perturbadoras — quase haicais jornalísticos — que até hoje assombram por ser humor corrosivo e seu poder de síntese.

‘Tudo em volta está deserto’

Três momentos da produção literária e musical do Brasil: o romance “Quarup”, de Antonio Callado, o espetáculo “Gal a todo vapor” e os escritos de Ana Cristina Cesar. Eduardo Jardim percorre três décadas tentando medir a influência dessas obras na formação dos jovens brasileiros.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/os-destaques-da-literatura-em-2018-23304465

SER MALANDRO

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SER MALANDRO

            Pessoal, tenho uma coisa importante para falar, só que não sei bem por onde começar. E seguindo a minha intuição, acho que nada melhor do que começar pelo começo, então vamos lá.

            Dizem, tradicionalmente que o malandro não trabalha. Não é verdade, eu trabalho muito, tanto que até desenvolvi a capacidade de pensar, visto isso, também cheguei à conclusão que aquele que fala mal do malandro e se intromete na vida alheia, parou de trabalhar para falar que o malandro não trabalha.

Quem nunca ouviu dizer que o malandro usa recursos engenhosos para viver? Veja só que gente estranha! Dizendo impropérios sobre pessoas, que (discordando do modo de viver delas, morre de inveja) na verdade queriam ser exatamente assim, só que para ser malandro precisa ter muita competência. Taí uma coisa que muita gente pensa que tem e não tem.

Malandragem não é para qualquer “borra-botas” que se dana de medo de assumir o que faz e nem tampouco tem a coragem dizer o que eu digo. Tem que ter cabedal para poder falar. Se não tiver, disfarça e vai embora. Malandro não é vadio. As diversões e os prazeres que são atribuídos ao malandro, conforme o bem falar dos engravatados e almofadinhas é por merecimento e experiência de quem trabalhou a vida inteira, pagou a previdência e recebe uma aposentadoria que mal dá para pagar os remédios que usa.

Muito cuidado ao falar que um homem é malandro ou que está na malandragem. Porque malandro que é malandro não envergonha ninguém. Fica na sua e respeita as diferenças. Se for malandro é ter malimolência com a sua dama, falar mansinho ao seu ouvido mas sacar a sua navalha escondida no bolso para se preciso for defender a sua “nega”, daí, pode ter a certeza que eu sou. Não mecha com quem está quieto porque você vai se dar mal.

Mas atenção, malandro não é encher a cara de cerveja no botequim para dizer que é “macho”, brigar por qualquer coisa e fazer besteiras na rua e ao chegar a casa bater na sua companheira. O verdadeiro malandro é aquele que faz da sua fêmea a mulher mais amada do mundo com amor, carinho e respeito. Isto é ser malandro o resto é otário.

José Carlos de Arruda.

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Direitos Reservados, Lei 9.610 de 1998.

DIA DO POETA

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Difícil missão é esta. Ser poeta.

Sentimento nobre, a flor da pele

tendo o mundo todo e uma caneta

Conluio perfeito para que se atrele.

 

Humanidade em constante dor

todavia nele, não há desespero.

Como o perfume de uma bela flor

escreve a sua arte com esmero.

 

Lamenta-te! Oh! ignorância feroz

tudo que fizeres cairá por terra.

Mesmo sua incompetência atroz.

 

Meu poeta querido, onde estiver

faça valer as suas qualidades.

para que ela possa sobreviver.

 

 

José Carlos de Arruda.

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Direitos Reservados, Lei 9.610 de 1998.

 

 

 

 

 

ARES DE POESIA

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AO SABOR DO VENTO

 

O gato brincando no telhado

O tempo que não passa.

As crianças sem nada fazer

Contemplam o mundo a passar

As pessoas de um lado para o outro.

Andando sem compromisso.

O murmúrio de pássaros no ar.

As lojas começam a fechar

Todos de volta ao lar

O dia vai continuar

Dorme em berço quieto

A meiguice do teu olhar

Palavras assim escritas

Soltas pelo ar.

A poesia clara e precisa

Em nosso criar

Parece sem sentido

O que tenho para mostrar

Uns versos bem escritos

(ou não)

Sem muito para contestar.

 

José Carlos de Arruda.

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Direitos Reservados, Lei 9.610 de 1998.

 

CONSELHO

 

Enquanto vida tiver lutas pelo teu ideal.

Aparecer-te-ão diversas contrariedades,

Não se abale, suba degrau por degrau.

Contudo cuidado com as insanidades.

 

 

Faça o que queres e o que não queres também.

Todos, ou quase todos irão deter os teus passos,

Talvez encontres alguém,

Que amenize alguns fracassos.

 

 

Vindo dos mais escondidos recantos

Traga aos outros palavras de fé,

Não tenhas vergonha de ser assim.

 

 

As marcas no caminho, sem encantos

Se puderes ficar de pé

Serão, com certeza, suavizadas para mim.

 

José Carlos de Arruda.

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Direitos Reservados, Lei 9.610 de 1998.

 

ELOS DE NEVE

 

Se alguém perguntar, se sentes saudades de um amor antigo,

responda logo sem titubear.

Lembro-me bem: – Foi um castigo.

Mas, deixei-a de amar.

 

 

O meu peito tinha força que diante dela se enfraquecia.

Atônito ao fato, os dias passavam.

Em certas ocasiões, minha mente ¨adormecia¨,

sem perceber que as coisas ficavam.

 

 

Por todos os lugares que passo vem a recordação,

de momentos de beleza sem par no meu coração.

É pena que ela não deva lembrar mais de nada.

 

 

Na infinita devastação do tempo que não perdoa.

Varreram do mar minha ¨embarcação¨ quebrando-a a proa,

deixando-a totalmente danificada.

 

 

José Carlos de Arruda.

Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Direitos Reservados, Lei 9.610 de 1998.

VIVA A POESIA

Destino

Destino

Ao aqui chegar nada vi de encantar
Era simples cidade a existir
No interior do meu Pará
Mas logo me apaixonei por te
O teu povo me abraçou com carinho
Logo me senti em meu ninho
Nasceu uma grande paixão
Te aconchegantes em meu coração.
Menina faceira que esconde segredos
E á todos conquista com teu esmero
Virei tua súdita assim que te vi
Andava por ti com franco respeito
Eras bonita na tua simplicidade
E teu povo ordeiro sorria faceiro.
Senti- me em casa, sorria feliz
Aqui foi o lugar que Deus me mandou, como quem diz:
– Receba essa menina, Capanema e faça ela feliz.
Foi o destino previamente traçado quem quis.
E assim vivo em te como vives em mim
Na completude de um amor sem fim.
Te abraço querida Capanema do Nordeste do Pará
Cidade que nasci para viver e amar.

Conceição Maciel
Capanema – Pará, 11 de setembro de 2018.